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15 Jul 2015

Mãos habilidosas que construíram embarcações

Categoria Notícia

Décadas e mais décadas dedicadas à construção naval. Recordações em fotos, mas principalmente naquelas guardadas na memória e no coração de Sálvio Simas, 88 anos de idade, percebe-se que o mar é a sua

Décadas e mais décadas dedicadas à construção naval. Recordações em fotos, mas principalmente naquelas guardadas na memória e no coração de Sálvio Simas, 88 anos de idade, percebe-se que o mar é a sua grande paixão, herança que herdou do pai. Com apenas 15 anos, Sálvio participou da construção do barco Estela, um navio de madeira de 40 metros para pequena cabotagem. O trabalho foi supervisionado pelos olhares atentos de seu pai, Wenceslau José de Simas.

 

Foram três anos dedicados à construção do Estela que, assim que ficou pronto, em 1945, partiu para a sua primeira viagem com destino ao Rio de Janeiro. Para Sálvio, além do orgulho de ter participado desta construção, um prêmio, pôde acompanhar o passeio. A embarcação saiu de Tijucas e recebeu o motor em Florianópolis. "Aproveitei para visitar dois irmãos que estavam no Rio", comenta.

 

Logo depois, em 1946, a família mudou-se para São Francisco do Sul, onde trabalharam no estaleiro de Waldemar Bernstorff. Em 1948, antes de partir novamente para o Rio de Janeiro, mas agora para morar, Sálvio casou com Maria de Lourdes. Eles foram para a Ilha de Marambaia, lá foi contratado pelo Estaleiro da Escola de Pesca Darcy Vargas para reformar e construir embarcações de pesca de médio porte. E, ainda no Rio de Janeiro, sua família começou a crescer.

Em 1953 retornou a São Francisco do Sul para então trabalhar em um estaleiro da sua família, que executava construção e reformas de embarcações para pesca e recreio. Dois anos depois foi para Itajaí, onde iniciou a sua carreira como marinheiro. "Fiquei cinco anos embarcado", salienta. Logo após desembarcar, em 1960, volta a se dedicar à construção naval, inicialmente com embarcações de recreio, junto ao Estaleiro Hildebrando.

Posteriormente, na construção de barcos de pesca de maior porte, em madeira, tipo traineira que receberam os nomes de Guarani I, II, Okinawa, Ferreira I, II e III e, finalmente, o Santo André, uma traineira de 17 metros, desde o projeto até a construção, planejado e executado por ele.

Veio morar em Joinville em 1965, tornou-se sócio de Bruno Bernstorff, no Estaleiro Bruno, construindo embarcações recreio, incluindo lanchas de até 32 pés e baleeiras. Foi ele quem introduziu o conceito de casco hidro V. Em 1968, Sálvio ganhou de Gert Schmidt uma baleeira, a famosa Viajante sem Porto. Ela foi construída por seu pai. Após a reforma e instalação do motor mold doado por Norberto Schossland, navegou por mais de 20 anos na Baía Babitonga, até ser eternizada no Museu Nacional do Mar.

Em 1975, Sálvio se associa ao recém-criado Estaleiro Douat e inicia a construção dos primeiros moldes e embarcações em fibra de vidro, compreendendo lanchas de até 16 pés (Safári, Saguaçu) e baleeiras de até 8 metros (Salema e Saquarema). Construiu também barcos para competição na categoria SE para Osny Vieira Rosa. "Este barco foi vice-campeão brasileiro na categoria", comemora.

Ainda nos anos 70, Sálvio recorda que transportava o Papai Noel da Riachuelo e, em um dos passeios, o tempo estava feio, com trovoadas, mas partiram mesmo assim. "Pegamos muito vento, quebrou o leme e ficou impossível controlar o barco", explica. Quando o tempo acalmou e após improvisar uma madeira para governar o barco é que puderam seguir. Além disso, lembra que muitas pessoas o esperavam para atravessar de Joinville até o Estaleiro. "Faziam filas e meu barco ia sempre cheio", relembra.

Nos anos 80 começou a trabalhar por conta própria e construiu duas lanchas. A Tatuge, para Germano May e a Tatiana, para Erick Colin. Sálvio também foi consultor em projetos para o Estaleiro Ruwa, que construía baleeiras em fibra. Em 1990, construiu a partir de um bote salva-vidas de navio, com oito metros de comprimento, o Viajante sem Porto II, barco que veio substituir o Viajante sem Porto, que está no Museu Nacional do Mar.

Nestas milhas percorridas pelo mar, muitas histórias para contar, muitos amigos conquistados, lugares visitados, paisagens apreciadas. Desde os anos 80, ele tem como hobby aproveitar um ou dois dias por semana no seu sítio no Estaleiro, além da pescaria semanal, praticamente todos os sábados. Sálvio capturou muitos peixes de grande porte na Baía Babitonga. O recorde foi um badejo de 216 quilos que pescou em 1982. "O mar é tudo para mim. Fui criado na beira do mar, não me adaptaria no interior", explica. Assim como ele, que herdou essa paixão do pai, seus filhos herdaram dele o amor pela vida náutica.


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