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04 Ago 2015

Sobre ter coragem

Categoria Notícia

Após passar mais de um ano sequestrado por piratas, o casal Paul e Rachel Chandler superou a experiência e voltou para o mar e passou pelo JIC.

Paul e Rachel Chandler são um casal de classe média de meia idade, sem filhos e que amam e vivem para a vela. Porém o que ninguém poderia imaginar era que essa paixão os levaria até uma emboscada. Casados há 34 anos, ele um engenheiro civil e ela uma economista, em 2007 se aposentaram e embarcaram no Rival Lynn, um veleiro de 38 pés, ano 78, que saiu da Grécia com a missão de percorrer o mundo e proporcionar para os dois memórias inesquecíveis.

 

Momentos marcantes

Após muitos dias de vento e encantamento com a liberdade que haviam conquistado, no dia 23 de outubro de 2009, enquanto passavam pelo arquipélago das Seychelles, no Oceano Indico, foram surpreendidos por oito homens que seguravam cinco fuzis. Ficando, assim, sob a mira dos piratas por oito dias no mar e mais 322 dias em um cativeiro na Somália.

Durante este tempo o casal foi separado por aproximadamente três meses, severamente espancado, exposto a uma dieta de fígado de cabra, arroz e macarrão e teve que cuidar da sua sanidade mental. "Passei muito tempo me transportando para fora da Somália, revisitando memórias de infância e sonhado com as pessoas queridas. Já o Paul optou por se aproximar do mundo da quadrilha tentando aprender a língua e viver aquela realidade", relembra Rachel.

Para que os dois fossem libertos o grupo pedia em torno de 7 milhões de dólares e após muita negociação acabou aceitando 440 mil dólares. "Eles acreditavam que iriam fazer milhões de dólares conosco, porém não se deram conta que éramos apenas um casal comum com pouco dinheiro e que politicamente, não existiria nenhum resgate diplomático por parte do governo", comenta Rachel.

Para Paul, os piratas foram ingênuos e ignorantes do mundo real. "Eles não conseguiam entender por que não poderiam levantar um monte de dinheiro já que a população da Inglaterra era formada por 60 milhões de habitantes. Na cabeça deles cada um poderia dar um dólar. Não existiu cinismo, porque se tivesse sido o contrário, eles pensaram, todo mundo do clã daria dinheiro. Essa é a base da existência deles e essa foi a crença que eles tinham", explica Paul.

 

Futuro é agora

Após conquistar novamente a liberdade, o casal passou um ano reformando sua embarcação e, neste tempo, escreveu o livro Refém (sem tradução para o português) onde contam as diferentes ferramentas que utilizaram para manter o controle da sanidade e traz dicas de como ser um bom refém. "Ambos procuramos não pensar sobre o que aconteceu no cativeiro e escrevemos o livro exatamente com a proposta de colocar um ponto final na história e também para que ela não seja distorcida", revela Rachel.

Questionada se eles desejam que os piratas sejam presos ela sorri e diz que não precisam disso, precisa apenas seguir sua vida e continuar velejando. E é exatamente isso que estão fazendo neste momento pela nossa Costa Brasileira onde pretendem passar mais cinco meses. No mês de abril foi a vez de conhecerem o Joinville Iate Clube onde foi possível conhecer um pouco da história. "A estrutura é linda e as pessoas são muito simpáticas. Pretendemos ainda passar por Paranaguá (PR) e, depois do Brasil, quem sabe, pela Guiana Francesa", finaliza Paul.

Matéria Publicada na edição de julho/2015 da Revista Golfe e Lazer - Gaivota. 

Por Mariana Woj

Foto: Fabrizio Motta 


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